A amizade é um dom e as despedidas uma treta!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

 É impossível ficar indiferente à despedida entre amigos... Quando era pequena, olhava para as pessoas à minha volta e questionava-me como aguentavam dizer até já sem prazo de validade, acenar com esperança de uma retribuição, um último abraço com esperança de mais aconchegos no futuro.
 «Mãe, tenho mesmo de me despedir? Mas não vai ser a última vez que vamos vê-los, pois não?»
 Consigo entender a necessidade de cumprimentar as pessoas sempre que estamos com elas e o encontro termina, afinal, não sabemos o que acontecerá no segundo a seguir e transformamo-nos, neste ritual, um pouco mais receptivos à personalidade do outro. Compreendo que seja uma tradição de gerações e gerações, tendo já passado pelos mais diversos feitios: vénias, acenos, tirar do chapéu, piscar de olhos... Percebo a despedida quando sabemos que é temporária e, mesmo assim, não capto a ideia na sua totalidade.
 O que não quero consigo conceber são os ADEUS por tempo indeterminado, o ver alguém ir-se embora e não poder pedir para ficar, a amizade forte que fora gerada e que fica confinada a mails e vagos telefonemas.
 
 Foi um ano intenso, conheci pessoas que me ajudaram a ver o mundo de outra forma, mais consciente, apesar de mais intensa, dediquei-me inteiramente a amizades que não contava serem tão importantes e delicadas, habituei-me a rotinas e a manias de quem quis guardar na minha memória, com a certeza de que vão ficar comigo por muito tempo...
 Vivi tudo com emoção e razão, lacrimejei quando os meus olhos precisaram, solucei quando a minha respiração me impedia de pensar, sorri exibindo todos os dentes sempre que não aguentava a felicidade, gargalhei com cócegas na barriga. E não contava com isto. Não me quero despedir. Já o fiz. Duro. Dois amigos. Vão ser felizes, é verdade, vão viver aquilo a que se propuseram e fazê-lo da melhor forma possível, nunca estando sozinhos, o que me conforta. Somos acompanhados pela mesma força e isso ninguém nos pode tirar. A amizade é um DOM, do maior que nos dá. Porém, quero permitir-me o egoísmo durante dois segundo, um por cada, e desejar ardentemente que não vão, que permaneçam por cá e que continuemos a criar memórias e momentos.
 Ainda há pouco entraram na minha vida e agora vão embora? Não vão desaparecer, não será a distância física a provocar isso, ou o tempo, não permitirei.
 Despedidas são uma treta, são duras, deixam-nos uma vontade louca de chorar ou de ficarmos revoltados. Todavia, as amizades são um dom e isso dá cabe da escala, a doçura da amizade dá cabe da amargura da despedida.
 Fica, então, um Até à vista, eu gosto mesmo muito de vocês!

11 comentários:

  1. As despedidas são sempre bastante duras, eu tenho o meu pai fora do país há anos e nunca consigo despedir-me dele sem deitar umas lágrimas, mesmo depois de saber que tem de ser, que é sempre assim.
    Resta-nos esperar pelo dia do reencontro, as relações que criamos são a melhor coisa que temos. Um beijinho :*

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    1. Compreendo muito bem isso, acredita, Mary... se calhar melhor do que imaginas :(

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  2. Como eu te compreendo linda, também já passei por isto.
    Odeio despedidas! Vais ver que a amizade vai ser maior que qualquer distância :)

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    1. Vou fazer por isso, e não pretendo descurar estas amizades. Quando sabemos que são boas, agarramos com muita força :)

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  3. Obrigada pelo teu comentário querida.
    Quem sabe não volte a escrever sobre o assunto. Felizmente já passou, sou tão mais feliz agora.
    Um dia gostaria de te conhecer, pareces um ser tão doce. Um beijinho :*

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  4. Felizmente, nunca tive de fazer nenhuma despedida do género... não sei como me iria sentir, sinceramente.
    r: Eu espero mesmo que os alunos saiam satisfeitos das minhas aulas e, melhor ainda, com sede de mais conhecimento e de sabe mais e mais. Não serão as boas notas que me vão dar alegrias, mas sim saber que os alunos estiveram interessados na matemática, nem que seja só durante 10 minutos de uma aula :)

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  5. A mim custam-me imenso as despedidas. Quando o meu namorado recentemente mudou de cidade para trabalhar, eu estava fora e ele disse-me de um dia para o outro, não tivemos a oportunidade de nos despedirmos... Acho que foi melhor assim, pelo menos não custou tanto dizer "Adeus", até porque não houve um "Adeus", neste momento só restam as saudades e a esperança que volte rápido.
    Gostei imenso do teu blog, já sou a tua nova seguidora :p

    Beijinho,

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  6. Muitas das vezes, são essas despedidas que nos clareiam a mente em relação a quem é que vale, ou não, a pena manter nas nossas vidas. Se vocês tiverem mesmo nascido uns para os outros, independentemente da distância e do tempo do ocorrido, de uma coisa podes ter a certeza: os vossos corpos e os vossos sorrisos regressarão uns para os outros, como se nada tivesse acontecido!
    Muita força, minha linda! 💕
    Beijo grande,

    LYNE

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  7. O título diz mesmo tudo. As despedidas são mesmo uma treta, principalmente aquelas que deixam as amizades confinadas a telefonemas e vagos mails.
    Não sou boa a fazer despedidas, custa -me sempre fazê-los, mesmo aquelas que são apenas um " até já".
    Mas concordo com o que disse a Lyne acima, são estas despedidas que nos permitem clarear a mente e perceber quem são as pessoas mais importantes na nossa vida.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  8. Faz parte da vida. E como tudo na vida temos dois lados, um bom e um mau. Devemos sempre guiarmos pelo lado bom e deixar a tristeza de lado mesmo que ela persista. Subscrevo as palavras da Carolayne R. Muita força princesa <3
    Beijinhos

    https://itsbymeblog.blogspot.pt/

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  9. Parece ter sido maravilhoso, acampar é incrível.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.pt

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